Washington Reis articula chapa com Wladimir Garotinho como vice e apoio da família Bolsonaro em 2026
Mais uma articulação movimenta os bastidores da política fluminense e antecipa a disputa pelo comando do Palácio Guanabara.
O ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB), convidou o atual prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho (sem partido), para compor uma chapa ao governo do Rio de Janeiro em 2026, tendo o apoio político da família Bolsonaro.
A proposta visa unir duas bases eleitorais importantes: a Baixada Fluminense, onde Reis tem forte influência, e o Norte Fluminense, reduto histórico da família Garotinho.
O movimento busca consolidar uma candidatura conservadora com discurso popular, mirando o eleitorado bolsonarista em um eventual confronto com nomes como Rodrigo Bacellar (União) e figuras ligadas ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).
Contudo, apesar da força política da articulação, a chapa esbarra em pendências jurídicas, disputas locais e um ambiente político nacional ainda incerto.
Apoio de Bolsonaro e articulação conservadora
O convite a Wladimir Garotinho tem o aval informal de nomes próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como os deputados federais Carlos Jordy e Hélio Lopes, além de lideranças da direita fluminense que buscam um palanque forte no Rio de Janeiro em 2026.
O apoio da família Bolsonaro tem como objetivo frear a ascensão de Rodrigo Bacellar, que também disputa o espaço da direita no estado, e garantir um candidato mais alinhado à base conservadora tradicional. A articulação tenta manter unida uma base que hoje parece fragmentada entre diferentes projetos eleitorais.
O prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, ainda não deu resposta pública ao convite. Nos bastidores, ele avalia o impacto da eventual candidatura no cenário político local, onde já enfrenta desafios administrativos, oposição ativa na Câmara Municipal e embates com lideranças regionais.
Além disso, a entrada de Wladimir como vice em uma chapa estadual implicaria em renúncia ao cargo de prefeito, o que também exigiria uma análise sobre o cenário sucessório em Campos — cidade onde a família Garotinho tem longa trajetória, mas vem enfrentando desgastes recentes.
Washington Reis: pendências no STF e questionamentos no TCE
Apesar da movimentação política, Washington Reis enfrenta barreiras jurídicas que podem inviabilizar sua candidatura. Ele foi condenado em 2016 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crime ambiental, e embora tenha conseguido liminar para exercer cargos públicos posteriormente, a condenação ainda gera incertezas jurídicas quanto à sua elegibilidade.
Além disso, seu nome voltou à tona em investigações do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e da própria Alerj, com pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar contratos firmados durante sua gestão na Secretaria de Transportes do Estado.
O ambiente jurídico instável levanta dúvidas sobre a viabilidade da candidatura e preocupa aliados. A depender do desfecho das ações em curso, Reis pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
A chapa Reis-Garotinho, embora politicamente estratégica, enfrenta resistências dentro do próprio campo conservador. Lideranças da Alerj ligadas a Bacellar e Cláudio Castro enxergam a articulação como uma tentativa de ruptura no grupo governista, o que pode gerar rachas internos e disputa de espaço no orçamento e estrutura do governo estadual.
Além disso, a proposta de Reis de formar uma “chapa do povo” tem sido recebida com cautela por parte da elite política e empresarial, que ainda avalia os riscos de apoiar um nome com histórico de condenações e desgaste público.
A proposta de aliança com Wladimir e o apoio da família Bolsonaro mostram uma tentativa clara de antecipar o debate de 2026 e ocupar espaço no vácuo deixado por figuras como Eduardo Paes, que apesar de liderar pesquisas, já declarou que não será candidato ao governo do estado.
Reis busca se consolidar como o principal nome da direita bolsonarista no estado e sinaliza disposição para enfrentar o campo progressista, o grupo de Bacellar e até o núcleo do atual governador Cláudio Castro, com quem rompeu após ser exonerado da Secretaria de Transportes.
O movimento ainda está em fase inicial, mas deve ganhar força nas próximas semanas com aparições conjuntas, sinalizações nas redes sociais e declarações públicas. O desafio, no entanto, será manter a coesão entre os grupos e resolver os nós jurídicos e políticos que envolvem o nome de Washington Reis.
Do lado de Wladimir, a decisão deve ser tomada com cautela e em consonância com o núcleo da família Garotinho, que ainda não se posicionou oficialmente sobre o apoio à articulação. Caso aceite o convite, a chapa Reis–Garotinho pode se tornar um dos principais polos da disputa estadual em 2026.
Redação – sjb24h
