Morre Arlindo Cruz, aos 66 anos, ícone do samba brasileiro e voz eterna de ‘O show tem que continuar’

Morre Arlindo Cruz, aos 66 anos, ícone do samba brasileiro e voz eterna de ‘O show tem que continuar’

Cantor enfrentava complicações de saúde desde 2017, após sofrer um AVC hemorrágico.

O samba brasileiro perdeu um de seus maiores representantes. Arlindo Cruz, cantor, compositor e um dos nomes mais emblemáticos da música popular brasileira, morreu nesta sexta-feira (8), aos 66 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família.

Arlindo enfrentava uma longa batalha contra problemas de saúde desde que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico em 2017, que o deixou com sequelas severas.

Desde então, passou a receber cuidados médicos em casa, sob atenção permanente da família. O artista também era portador de uma doença autoimune, utilizava traqueostomia e sonda alimentar (gastrostomia).

A notícia abalou o universo do samba, onde Arlindo construiu uma trajetória marcada por sucessos, poesia e resistência.

Um mestre do samba

Nascido em 14 de setembro de 1957, no bairro de Madureira, na zona norte do Rio de Janeiro — reduto tradicional do samba carioca —, Arlindo Cruz começou cedo na música. Aos 7 anos, já tocava cavaquinho. Sua paixão pela música foi herdada do pai, também músico.

Nos anos 80, Arlindo se tornou nacionalmente conhecido ao integrar o Fundo de Quintal, grupo que ajudou a revolucionar o samba com um estilo mais leve e moderno, criando a base do que viria a ser conhecido como pagode.

Compositor prolífico, deixou como legado mais de 500 canções gravadas, entre elas verdadeiros hinos como:

  • “O Show Tem Que Continuar”
  • “Meu Lugar”
  • “Saudade Louca”
  • “O Que É o Amor”
  • “Além do Meu Querer”

Suas composições foram gravadas por artistas como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Alcione, Beth Carvalho e Maria Rita, e atravessaram gerações, sempre com uma mensagem de resistência, amor e orgulho do povo brasileiro.

Império Serrano e devoção ao samba-enredo

Arlindo Cruz também teve forte ligação com o carnaval carioca, especialmente com a escola de samba Império Serrano, de onde era torcedor e colaborador frequente. Em 2022, mesmo debilitado, foi homenageado pela agremiação na Marquês de Sapucaí, em um dos momentos mais emocionantes daquele desfile.

Além dos sambas de quadra e composições avulsas, Arlindo foi responsável por diversos sambas-enredo marcantes, seja como autor ou como intérprete.

Últimos anos e luta pela vida

Desde 2017, após o AVC, Arlindo passou por diversos procedimentos médicos, incluindo internações prolongadas e tratamento domiciliar. O quadro exigia acompanhamento permanente. Apesar das limitações físicas, a lucidez e a sensibilidade do artista se mantiveram vivas até o fim, como afirmavam familiares e amigos próximos.

A esposa de Arlindo, Babi Cruz, que esteve ao seu lado durante toda a luta, chegou a declarar em entrevistas que o artista “vivia em silêncio, mas com a alma cheia de música”. O filho, Arlindinho, também cantor, assumiu o legado musical do pai e seguiu com a carreira artística, mantendo vivo o estilo e a obra do patriarca.

 

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