Incertezas rondam a Alerj e o Governo do Estado aquecendo disputas
Mesmo em janeiro, durante o recesso parlamentar, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vive um cenário de forte instabilidade política e incertezas sobre o comando do Executivo estadual nos próximos meses.
Os deputados retornam oficialmente aos trabalhos no início de fevereiro, com uma pauta de projetos considerados prioritários já definida, mas o foco principal nos bastidores está na iminente saída do governador Cláudio Castro (PL) e na disputa pelo governo-tampão que comandará o estado até o fim do ano.
Castro pretende renunciar ao cargo ainda em abril para disputar uma vaga no Senado, o que desencadeia automaticamente o processo de sucessão indireta. A situação, no entanto, é atravessada por uma série de indefinições institucionais.
O vice-governador Thiago Pampolha deixou o posto em maio do ano passado para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado. Já o presidente eleito da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (União), foi afastado da presidência em dezembro, após ser preso e liberado mediante medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, Bacellar segue com mandato parlamentar e pode participar das votações.
Com a renúncia de Castro, o presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli, não pode assumir e caberá ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, administrar interinamente o governo do estado.
A partir daí, Couto terá o prazo de 30 dias para convocar a eleição indireta na Alerj, que definirá o governador-tampão até dezembro. É justamente esse processo que tem provocado intensa movimentação política antes mesmo do fim do recesso legislativo, tradicionalmente estendido até depois do Carnaval.
O núcleo político de Cláudio Castro e do PL já trabalha para viabilizar um nome de confiança. O principal indicado é o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, considerado um “nome da casa” e alinhado diretamente ao atual governador.
Outro nome ligado ao grupo governista é o do secretário de Estado das Cidades, Douglas Ruas. Ambos, no entanto, enfrentam resistência de diferentes correntes dentro da Assembleia.
Do outro lado, o secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal e ex-presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), intensificou articulações com deputados estaduais.
Ceciliano tem feito reuniões reservadas e telefonemas em busca de apoio para uma eventual candidatura ao governo-tampão, especialmente entre parlamentares de esquerda, que já sinalizaram disposição de manter voto em seu nome.
Ele também tenta ampliar seu arco de alianças dialogando com setores do centro e da direita, inclusive buscando aproximação com Bacellar para alcançar deputados alinhados ao presidente afastado.
O cenário fica ainda mais complexo com o avanço do calendário eleitoral de 2026. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), confirmou que deixará o cargo em 20 de março para disputar o governo do estado nas eleições de outubro.
A saída foi anunciada em um longo discurso durante sua última reunião com o secretariado municipal, no qual tratou de responsabilidade fiscal, continuidade administrativa e antecipou linhas centrais de sua campanha. Com a renúncia, quem assume a Prefeitura do Rio é o vice Eduardo Cavaliere (PSD).
Paes, já assumidamente pré-candidato ao Palácio Guanabara, tem se estranhado politicamente com André Ceciliano, que também se coloca como alternativa no cenário estadual, ainda que, num primeiro momento, para ocupar o cargo de governador-tampão após a saída de Cláudio Castro.
Entre recesso parlamentar, afastamentos judiciais, renúncias estratégicas e articulações silenciosas, a pergunta que ecoa nos corredores do poder é direta:
quem governará o Rio quando Castro sair? A resposta passa pela Alerj, mas, até agora, permanece cercada de incertezas, disputas internas e um jogo político que promete se intensificar nas próximas semanas.
