Começa nesta terça-feira estudo de campo sobre erosão em Atafona e Açu
Começa nesta terça-feira (6) o trabalho de campo do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) que vai aprofundar as análises sobre a erosão costeira em Atafona e Açu, em São João da Barra.
A equipe técnica inicia os levantamentos no litoral e no rio Paraíba do Sul para compreender os fatores que influenciam a dinâmica da costa e avaliar possíveis alternativas de intervenção.
A nova etapa ocorre após a apresentação do Plano de Trabalho, realizada em 24 de setembro, na Prefeitura de São João da Barra, durante reunião da Câmara Técnica de Dinâmica Costeira, Erosão Marinha e Riscos Climáticos Associados.
Contratado pela Prefeitura, o estudo terá duração de 18 meses e contará com 29 profissionais de diferentes áreas. Serão analisados dados sobre ondas, correntes, sedimentos, níveis da água, fundo do mar, drenagem, infraestrutura, ambientes naturais e ocupação do território.
Também serão realizadas entrevistas com moradores para registrar a percepção da comunidade sobre as transformações no litoral. Ao menos 211 pessoas serão ouvidas, sendo 175 em Atafona e 36 no Açu, incluindo informações relacionadas à pesca, navegação, turismo e lazer.
Centrais da Erosão
A partir desta terça-feira, as Centrais da Erosão Atafona e Açu também passam a funcionar como pontos de informação e diálogo com a população. Instaladas em módulos climatizados, as estruturas permitirão aos moradores esclarecer dúvidas, acompanhar o desenvolvimento do estudo e compartilhar relatos sobre os efeitos da erosão.
O atendimento será realizado de terça-feira a sábado, das 10h às 12h e das 13h às 17h.
Dados vão orientar futuras decisões
Entre os trabalhos previstos estão medições de correntes e níveis da água no rio Paraíba do Sul, levantamentos do fundo do mar, coleta e análise de sedimentos e monitoramento de ondas e correntes.
A equipe também avaliará condições de dunas, manguezais, biodiversidade e drenagem urbana.
Os dados serão utilizados em modelagens matemáticas para simular diferentes cenários e analisar o comportamento de ondas, correntes e sedimentos. Entre as alternativas que poderão ser avaliadas estão a reposição de areia, recuperação de praias e dunas e estruturas rígidas de proteção.
A comparação levará em consideração custos, manutenção, aspectos técnicos, impactos socioambientais, riscos e cenários de mudanças climáticas.
Segundo a oceanógrafa Clarissa Menin, diretora técnica da SEACaruso Soluções Oceânicas & Energias Renováveis, responsável pelo estudo, pesquisas anteriores apontam comportamentos diferentes da costa ao longo do município.
Em Atafona, na região da foz do Paraíba do Sul, há registros de recuo da linha de costa desde 1954. Estudos históricos apontam a perda de cinco quarteirões e danos parciais em outros sete até 2019. Em alguns pontos ao sul, pesquisas indicaram avanço da faixa de areia no período analisado.
“O estudo não parte de uma solução previamente definida. Primeiro, precisamos compreender os processos que atuam em cada trecho da costa. A partir dos dados, será possível comparar alternativas e fornecer uma base técnica para orientar as próximas decisões”, explica Clarissa.
Para a prefeita Carla Caputi, o início do trabalho de campo representa uma etapa fundamental para o enfrentamento da erosão.
“Agora entramos em uma etapa fundamental: ir ao território, reunir dados e entender com precisão o que está acontecendo em cada trecho do nosso litoral. Precisamos dessa base técnica para tomar decisões responsáveis e, posteriormente, buscar os recursos necessários para as soluções que forem indicadas.”
O EVTEA segue as diretrizes metodológicas do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e deverá fornecer a base técnica, ambiental, econômica e social para orientar as próximas decisões e subsidiar a busca por recursos públicos para futuras intervenções.
