Porto do Açu avança na transição energética enquanto mercado aguarda regulamentação das eólicas offshore
A regulamentação das eólicas offshore no Brasil ainda é aguardada pelo setor, mas o Porto do Açu, em São João da Barra, já vem ampliando sua atuação em projetos relacionados à transição energética.
A expectativa pela publicação do decreto que definirá as regras para seleção e cessão de áreas para empreendimentos no mar é apontada como um dos fatores que podem destravar novos investimentos no segmento.
Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (30) pelo Valor Econômico, a demora na regulamentação e no licenciamento ambiental tem reduzido o interesse de investidores pelas eólicas offshore. O Ministério de Minas e Energia (MME) é esperado para publicar o decreto ainda antes das eleições.
O cenário ganha relevância para o Porto do Açu, que é apontado na reportagem como tendo posição estratégica para o desenvolvimento da eólica offshore. O complexo portuário já havia firmado acordos com operadores interessados nesse mercado, mas alguns deles acabaram caducando diante da falta de definições regulatórias.
Ao mesmo tempo, o Açu já avança em uma iniciativa concreta de eletrificação offshore. Em setembro, o Porto do Açu e a Perenco Brasil assinaram uma carta de intenções para desenvolver o primeiro projeto de eletrificação de plataformas offshore da Bacia de Campos.
A proposta prevê levar energia elétrica da terra para as plataformas dos Polos Pargo e Cherne, por meio de um cabo submarino de aproximadamente 80 quilômetros conectado a uma subestação que será construída no Porto do Açu. A previsão inicial é de uma demanda de 35 MW, com possibilidade de chegar a 60 MW em quatro anos.
O projeto tem como objetivo reduzir as emissões de carbono das operações da Perenco, que atualmente utilizam energia gerada localmente por turbogeradores. Há ainda a possibilidade de, futuramente, a empresa contratar energia proveniente de fontes renováveis.
A conexão entre as duas iniciativas mostra diferentes frentes de atuação do complexo portuário na transição energética: de um lado, a expectativa pela regulamentação que poderá permitir o avanço de grandes projetos de geração eólica no mar; de outro, projetos já estruturados para levar energia elétrica da rede terrestre às operações offshore.
Para o Porto do Açu, a combinação desses movimentos pode ampliar o papel do complexo como infraestrutura de suporte à nova economia de energia, especialmente pela localização estratégica na costa do Rio de Janeiro e pela possibilidade de integração entre geração, transmissão e consumo de energia em operações marítimas.
