Porto do Açu planeja investir R$ 512 milhões para avançar no descomissionamento de plataformas de petróleo
O Porto do Açu, em São João da Barra, planeja avançar na cadeia de descomissionamento de plataformas de petróleo no Brasil. O objetivo é deixar de atuar apenas na acostagem e manutenção dessas unidades e passar a realizar também a limpeza, a descontaminação e o desmantelamento das estruturas.
Segundo informações da Agência Infra, a empresa discute com sua controladora, a Prumo Logística, um investimento de R$ 512 milhões (US$ 100 milhões) na implantação de uma rampa com maquinário de tração e equipamentos para o corte de partes e seções de FPSOs, os navios-plataforma. A informação foi divulgada pelo CEO do Porto do Açu, Eugênio Figueiredo.
O projeto ainda não possui uma decisão final de investimento, conhecida pela sigla FID. No entanto, o Porto do Açu já mantém um consórcio com a empresa norueguesa IKM, especializada em limpeza, descontaminação e neutralização do chamado NORM, material radioativo naturalmente ocorrente.
A IKM ficará responsável pela etapa considerada mais sensível do serviço, enquanto o Porto do Açu oferecerá a infraestrutura de berços e a capacidade operacional. A empresa também mantém tratativas com companhias como a Gerdau, interessadas no material resultante da operação, principalmente a sucata de aço destinada à utilização em fornos industriais.
Atualmente, o Porto do Açu dispõe de cais com capacidade para atender simultaneamente mais de três unidades offshore ou embarcações em atividades de pré-descomissionamento. Com possíveis ampliações, essa capacidade poderá chegar a oito unidades.
Histórico e novas operações
O Porto do Açu mantém atualmente acostadas a plataforma semissubmersível P-26 e o FPSO P-37, ambos da Petrobras, que contratou o porto para a acostagem e a limpeza das unidades. A P-19 é uma das próximas plataformas que poderão chegar ao terminal.
Entre 2024 e julho de 2026, o porto também manteve acostada a P-33, posteriormente encaminhada ao estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde foi desmontada. A estrutura foi vendida pela Petrobras à Gerdau, em parceria com o Grupo Ecovix.
A intenção do Porto do Açu é incorporar o desmantelamento aos próximos projetos, ampliando sua participação em uma etapa considerada mais lucrativa da cadeia de descomissionamento.
Demanda da Petrobras
O plano busca aproveitar o crescimento da demanda da Petrobras por serviços de descomissionamento e, ao mesmo tempo, transformar o Porto do Açu em referência na reciclagem sustentável de embarcações de toda a América Latina.
No plano de negócios da Petrobras para o período de 2026 a 2030, a companhia prevê investimentos de US$ 9,7 bilhões em descomissionamento. Desse total, 69% serão destinados ao abandono de poços e 31% à retirada de equipamentos.
A previsão é de remoção de 18 plataformas no período, sendo sete fixas, sete flutuantes e quatro semissubmersíveis. A partir de 2031, ainda restariam outras 50 plataformas a serem removidas, sendo 43 fixas.
Operação nacional pode reduzir custos
De acordo com Eugênio Figueiredo, um dos principais atrativos do projeto é evitar que grandes petroleiras, como a Petrobras, precisem enviar plataformas aposentadas para fora do país, o que pode representar custos mais elevados.
Com o Porto do Açu apto a concentrar todas as etapas da operação, a expectativa é de redução de custos e do tempo necessário para a execução dos serviços no mercado doméstico.
O executivo destaca ainda que os estaleiros tradicionais são voltados principalmente à construção e ao reparo de embarcações. O descomissionamento costuma ser uma atividade secundária nesses empreendimentos, enquanto o Porto do Açu se prepara para transformar o segmento em uma unidade de negócio especializada.
