Tartaruga cega resgatada ganha novo destino após período de recuperação em SJB

Tartaruga cega resgatada ganha novo destino após período de recuperação em SJB

Uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) que foi encontrada debilitada na praia Maria da Rosa, em Farol de São Tomé, no litoral norte do Rio de Janeiro, acaba de iniciar uma nova etapa de sua história.

Após passar por meses de tratamento e recuperação, incluindo uma temporada na Reserva Caruara, em São João da Barra, a tartaruga, batizada de Rosa, foi encaminhada para um novo lar na Bahia.

O animal foi resgatado em condições delicadas e apresentava cegueira bilateral, além de problemas de saúde que exigiram acompanhamento veterinário intensivo.

Durante os sete meses de tratamento, Rosa enfrentou pneumonia, infecção e até uma bactéria multirresistente. Ao longo da recuperação, seu peso passou de 32 para 44 quilos.

Apesar da evolução clínica, a cegueira nos dois olhos impede que a tartaruga seja devolvida ao ambiente natural. Por isso, foi necessário buscar um local que pudesse oferecer cuidados permanentes e, ao mesmo tempo, possibilitar que Rosa contribuísse com ações de educação ambiental.

A transferência envolveu uma operação especial. O animal foi acomodado em uma estrutura adequada para o transporte, teve a documentação providenciada junto aos órgãos competentes e seguiu de carro até o aeroporto de Vitória, no Espírito Santo. De lá, embarcou para a Bahia.

O novo destino de Rosa é o Centro de Visitantes da Fundação Projeto Tamar, em Arembepe, onde ela passa a viver em uma piscina preparada para recebê-la. No espaço, a tartaruga poderá participar de atividades de educação ambiental e ajudar a aproximar visitantes da realidade da conservação da vida marinha.

O caso chama atenção também pelo seu caráter incomum. A condição apresentada por Rosa é considerada rara na literatura científica e será tema de um trabalho que será apresentado neste mês no Congresso da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (Abravas), em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Um período de cuidados em São João da Barra

Durante sua trajetória de recuperação, Rosa passou pela Reserva Caruara, em São João da Barra, unidade de conservação criada voluntariamente em 2012 pela Porto do Açu Operações. O espaço tem entre seus objetivos a proteção da biodiversidade, a recuperação de áreas de restinga e o desenvolvimento de ações voltadas à pesquisa e à educação ambiental.

A história de Rosa também está ligada ao trabalho desenvolvido há 18 anos pelo Programa de Monitoramento de Tartarugas Marinhas (PMTM), realizado pela Reserva Caruara em parceria com a Fundação Projeto Tamar e com o patrocínio de Porto do Açu, Ferroport, Vast Infraestrutura e GNA.

O programa acompanha diariamente cerca de 62 quilômetros de litoral, entre o Pontal de Atafona, em São João da Barra, e a Barra do Furado, em Campos dos Goytacazes. A região é uma importante área de ocorrência da tartaruga-cabeçuda, espécie que utiliza as praias do litoral fluminense para reprodução.

Classificada como vulnerável (VU) na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a Caretta caretta pode chegar a aproximadamente 1,36 metro de comprimento e pesar cerca de 180 quilos. As fêmeas podem depositar, em média, 120 ovos em cada ninho.

Rosa não poderá voltar ao mar, mas sua trajetória ganhou um novo significado. Depois de ser resgatada, passar por tratamento e permanecer em recuperação, ela agora terá uma função importante na conscientização sobre a preservação das tartarugas marinhas e dos oceanos.

sjb24h