Trump assina decreto com tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, mas recua em setores estratégicos
Medida entra em vigor em sete dias e isenta alimentos, minérios e produtos de energia; Brasil segue avaliando impacto econômico.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na tarde desta quarta-feira (30) a ordem executiva que oficializa a imposição de tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil, em uma medida que tensiona ainda mais a relação comercial entre os dois países.
Apesar do tom duro da ação, o decreto publicado recuou em relação à versão original e poupa setores estratégicos da economia brasileira, como alimentos, minérios, produtos de energia e componentes da aviação civil.
As tarifas, que entrarão em vigor em (7) sete dias, e não mais na quinta-feira (31), como previsto inicialmente, fazem parte da política “Make America Healthy Again”, que busca fomentar a produção interna e reequilibrar a balança comercial dos EUA, segundo a Casa Branca.
A nova taxação atinge uma cesta mais enxuta de produtos brasileiros do que o previsto nos primeiros esboços divulgados pela imprensa americana no início de julho.
Recuo estratégico dos EUA
O alívio parcial anunciado por Trump foi interpretado por analistas como uma tentativa de evitar represálias imediatas por parte do Brasil e de não afetar diretamente cadeias globais das quais os próprios Estados Unidos dependem.
A pressão de empresas americanas importadoras e de setores logísticos foi fundamental para a decisão de preservar commodities minerais e energéticas e evitar o impacto direto na aviação civil, que mantém forte parceria com fornecedores brasileiros.
No entanto, setores industriais e de bens de consumo seguem entre os mais afetados, o que pode gerar repercussões negativas em estados exportadores brasileiros, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pará e Espírito Santo.
Reação do governo brasileiro
O governo federal ainda não se pronunciou oficialmente sobre o texto final do decreto assinado por Trump. Entretanto, fontes do Ministério das Relações Exteriores e da equipe econômica indicam que haverá uma resposta coordenada, provavelmente por meio de reclamações diplomáticas e recursos na OMC (Organização Mundial do Comércio).
O Itamaraty já vinha articulando ações com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para conter os danos, especialmente nos segmentos que envolvem exportações de base mineral e agrícola, dois pilares da balança comercial brasileira com os EUA.
“Embora a exclusão de alguns setores seja uma vitória parcial, os efeitos gerais da medida ainda são graves. Seguimos monitorando a situação e estudando respostas dentro dos marcos internacionais”, afirmou um assessor da diplomacia brasileira sob condição de anonimato.
Impacto nos estados e municípios
Municípios com forte dependência de exportações, como São João da Barra, no Norte Fluminense, onde está localizado o Porto do Açu, acompanham com atenção os desdobramentos da medida.
O porto é responsável por grande parte da exportação de petróleo, minério de ferro e cargas de valor agregado.
Embora esses segmentos tenham sido poupados da tarifa, a prefeitura da cidade já havia solicitado ao governo estadual a inclusão em reuniões do grupo de trabalho sobre o tema.
A estimativa divulgada pelo governo do Rio de Janeiro na última semana aponta que o “tarifaço” pode causar prejuízo de até R$ 830 milhões ao PIB fluminense, mesmo com as exclusões anunciadas.
Por: SJB24h
