Washington Reis perde cargo, mas segue articulando nos bastidores do poder fluminense de olho em 2026

Washington Reis perde cargo, mas segue articulando nos bastidores do poder fluminense de olho em 2026

Ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-secretário de Transportes, político acumula 32 anos de trajetória e soma mais uma ruptura com Cláudio Castro.

A mais recente exoneração de Reis ocorreu no último dia 10, após o governador interino Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ter afastado o ex-prefeito de Duque de Caxias da Secretaria de Estado de Transportes e Mobilidade Urbana.

A decisão foi posteriormente referendada por Castro, consolidando uma movimentação estratégica a 15 meses da eleição de 2026.

É a primeira vez que o clã político dos Reis, originário de Duque de Caxias — segundo maior colégio eleitoral do estado do Rio de Janeiro —, encontra-se na oposição dentro da Alerj.

O deputado Rosenverg Reis, irmão de Washington, passou a ocupar uma posição de enfrentamento direto com Bacellar no parlamento.

Aliado fiel, mas descartável

Washington Reis tem se destacado ao longo da carreira como um político estrategista, sempre próximo aos centros de poder. Ex-prefeito de Caxias, já ocupou cargos federais e estaduais, e desde os anos 1990 alterna entre mandatos parlamentares e funções executivas.

Em 2022, renunciou à Prefeitura de Duque de Caxias com o objetivo de concorrer ao Senado. Após intensas negociações políticas, acabou se lançando como candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro.

No entanto, sua candidatura foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), por conta de uma condenação por crime ambiental ocorrida em 2016, o que o tornou inelegível.

Apesar de ainda poder recorrer da decisão, optou por renunciar à candidatura com o discurso de preservar a viabilidade eleitoral da chapa governista. “Não vou atrapalhar um projeto que representa estabilidade para o Rio”, declarou à época.

Cargo estratégico e retorno político

Como compensação pela desistência, Cláudio Castro o nomeou, em dezembro de 2022, secretário estadual de Transportes e Mobilidade Urbana — uma das pastas mais estratégicas da administração fluminense.

À frente do cargo, Reis se dedicou a projetos com forte apelo eleitoral, como a redução de aproximadamente 40% nas tarifas de trens e metrô, além da implantação de um novo sistema de bilhetagem nos ônibus intermunicipais.

Essas ações reforçaram seu capital político e reacenderam seus planos de disputar o Palácio Guanabara em 2026. Porém, os movimentos recentes do tabuleiro político fluminense desmontaram esses planos — pelo menos temporariamente.

Bacellar e Castro montam chapa e afastam concorrentes

A exoneração de Washington Reis é interpretada nos bastidores como parte da consolidação de uma chapa já desenhada para 2026.

Rodrigo Bacellar, atual presidente da Alerj e governador interino, deve disputar o Governo do Estado, enquanto Cláudio Castro buscará uma vaga no Senado Federal.

A leitura entre aliados é de que a permanência de Reis na Secretaria poderia fortalecer sua pré-candidatura e ameaçar a composição planejada pelos dois aliados.

“É uma forma de eliminar um adversário competitivo antes mesmo do início da disputa”, comentou um interlocutor do governo sob condição de anonimato.

Histórico de decepções políticas

A recente exoneração não é a primeira vez em que Washington Reis se vê preterido por Cláudio Castro em momentos decisivos.

Em junho de 2022, durante o processo de formação da chapa governista, Reis esperava emplacar seu irmão Rosenverg como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

No entanto, o governador optou por indicar o deputado Márcio Pacheco (PSC), gerando insatisfação entre os Reis.

Desde então, o relacionamento político entre as duas famílias tornou-se mais pragmático e menos entusiasmado. A insatisfação de Rosenverg, hoje deputado estadual, com Bacellar — a quem acusa de centralizar o poder na Alerj — também alimenta o atual distanciamento entre os grupos.

Família Reis na oposição

Pela primeira vez desde sua ascensão política, o grupo liderado por Washington Reis se encontra formalmente na oposição no legislativo estadual.

Rosenverg, com atuação focada na Baixada Fluminense, tem adotado um tom mais combativo nas sessões da Alerj, criticando decisões da presidência e cobrando maior descentralização de recursos.

Apesar disso, interlocutores apontam que Reis ainda mantém articulações com outros setores do governo estadual e não deve permanecer muito tempo fora do tabuleiro.

“Ele sabe jogar. Pode ter saído do governo, mas não saiu do jogo”, afirma um analista político com experiência em eleições fluminenses.

Olhar para 2026

Mesmo sem cargo e momentaneamente fora do poder institucional, Washington Reis continua sendo uma peça relevante na política do estado.

Com base eleitoral sólida em Caxias e influência em diversos partidos, dificilmente ficará de fora da disputa de 2026.

Nos bastidores, especula-se que ele possa voltar a se lançar como candidato ao Governo do Estado ou até mesmo tentar uma cadeira na Câmara Federal, caso os cenários não se alinhem para uma candidatura majoritária. Por ora, o foco parece estar em reorganizar seu grupo político e preparar o terreno para as convenções do próximo ano.

 

Por: sjb24 Horas

sjb24h