Castro cancela ida à Alerj para abertura do semestre legislativo
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), não irá mais à Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) nesta terça-feira (5), data marcada para a abertura do segundo semestre legislativo.
Oficialmente, Castro alegou compromissos em Brasília no mesmo horário e será representado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Nicola Miccione.
A ausência do governador, no entanto, evita seu primeiro encontro público com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), desde a recente crise política envolvendo a demissão do então secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB).
Embate público marcado por desgaste político
A tensão entre os dois aliados surgiu no início de julho, quando Bacellar, na condição de governador interino — durante uma viagem de Castro — exonerou Washington Reis sem o consentimento do titular do Palácio Guanabara.
A atitude causou um forte mal-estar entre ambos e desdobramentos na base aliada do governo.
Embora tenha considerado a exoneração como “intempestiva e desrespeitosa”, Cláudio Castro optou por manter a demissão, o que foi lido por aliados de Reis como um gesto de alinhamento ao projeto político de Bacellar, que almeja disputar o Governo do Estado em 2026.
Pacote de projetos do Executivo será apresentado por representante
Na sessão marcada para esta terça-feira (5), estava previsto que Castro apresentaria pessoalmente um pacote de projetos do Executivo estadual aos deputados.
Caberá agora a Nicola Miccione, chefe da Casa Civil, realizar essa entrega formal ao Legislativo. O conteúdo exato dos projetos ainda não foi detalhado, mas fontes do Palácio Guanabara indicam que parte deles está voltada para ajustes fiscais, infraestrutura e novas regulamentações no setor de transportes.
Clima de instabilidade na base
Nos bastidores, parlamentares da base governista avaliam que a relação entre o governador e o presidente da Alerj continua fragilizada, embora ambos tentem manter as aparências de harmonia institucional.
O clima de desconfiança mútua se agravou após a movimentação de Bacellar de se lançar como pré-candidato ao governo estadual com apoio de setores da própria base bolsonarista, que antes orbitava em torno de Castro e Washington Reis.
A exoneração de Reis também impactou diretamente o MDB fluminense, provocando um reposicionamento político da legenda em relação ao governo e fortalecendo rumores sobre uma possível candidatura própria ou apoio a outro nome competitivo no cenário eleitoral de 2026.
