Prêmio Firjan de Sustentabilidade: projeto de empresa do setor portuário preserva aves ameaçadas de extinção

Prêmio Firjan de Sustentabilidade: projeto de empresa do setor portuário preserva aves ameaçadas de extinção

Em um contexto no qual ações de preservação ambiental são cada vez mais urgentes, saber que mais de 5.500 aves de duas espécies ameaçadas de extinção seguem preservadas e que mais de 2.270 ninhos recebem segurança é contagiante.

Os números são resultado do Projeto Aves do Açu, da empresa Vast Infraestrutura, vencedora da categoria Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos do Prêmio Firjan de Sustentabilidade 2025.

A iniciativa da empresa especializada em transbordo de petróleo entre navios no Brasil vai ao encontro de uma das missões da Firjan: incentivar ações ambientais, sociais e de governança que sejam relevantes e executadas por companhias, instituições e organizações do terceiro setor.

A premiação que acontece anualmente dá visibilidade a práticas socioambientais alinhadas ao crescimento econômico das empresas. E para 2026, a Firjan recebe inscrições até o próximo dia 2/6, impreterivelmente.

O Projeto Aves do Açu começou a nascer porque a Vast buscava compatibilizar a operação do Terminal de Petróleo (T-Oil), situado no Complexo do Porto do Açu, no município de São João da Barra, com a reprodução de duas espécies de aves marinhas ameaçadas de extinção na região, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

São as aves trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea) e trinta-réis-de-bando (Charadriiforme), que desde 2016 passaram a utilizar a ponte de acesso e as estruturas do terminal como área de nidificação.

O local apresentava riscos às espécies, como atropelamentos, perturbação constante, predação e queda de filhotes no mar, como explica Adriano Lima, diretor de Sustentabilidade da Vast Infraestrutura. A empresa iniciou estudos preliminares em 2017 para entender o comportamento reprodutivo das espécies e encontrar soluções para a permanência segura dos animais no local.

“Com base nesses estudos, o projeto foi estruturado e formalizado em 2022, entrando em uma fase mais avançada em 2023. Nessa etapa, foi implantado um sistema de manejo que inclui a proteção individual dos ninhos, o monitoramento sistemático de toda a área e ações de sensibilização dos trabalhadores. Para o trinta-réis-de-bico-vermelho, que nidifica de forma espaçada, foram instaladas caixas de contenção e pequenos abrigos de madeira ao redor de cada ninho. Essas estruturas impedem que os filhotes se dispersem para áreas de risco e reduzem a exposição a predadores e ao tráfego de veículos”, explica Adriano.

Já para o trinta-réis-de-bando, que forma colônias densas, a estratégia adotada foi fazer o isolamento das áreas de nidificação com telas plásticas, criando uma barreira física entre as aves e as operações do terminal.

Em 2021, a Firjan passou a ser a organização âncora do HUB ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), plano de ação global estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Assim, com o Prêmio Firjan de Sustentabilidade, a federação mostra o comprometimento em engajar a sociedade e criar oportunidades para que as indústrias se manifestem em relação às boas práticas relacionadas à agenda dos ODS.

Segundo Lídia Vaz Aguiar, analista de Meio Ambiente da Firjan, o Projeto Aves do Açu é um potente exemplo de como o setor privado pode conciliar suas ações produtivas com a sustentabilidade. Ela destaca que os resultados demonstram a responsabilidade, a proatividade e o comprometimento da empresa com as questões ambientais, como foco na geração de impacto positivo.

“Ações positivas necessitam receber mais visibilidade. Neste contexto, o Prêmio Firjan de Sustentabilidade prioriza destacar as ações positivas do setor privado em prol da sustentabilidade, não apenas pelo legítimo merecimento e para que sirvam como norte e inspiração a outras instituições, mas também para oportunizar parcerias”, acrescenta.

Monitoramento das aves e envolvimento de colaboradores

O projeto contempla o monitoramento das aves, feito entre abril e setembro, período reprodutivo das espécies. As equipes percorrem o terminal três vezes por semana e registram ninhos, ovos, filhotes, mortalidade e possíveis fatores de perturbação.

“Esse acompanhamento permite avaliar o tamanho das populações, o sucesso reprodutivo e a eficácia das ações de manejo, além de gerar dados inéditos sobre a ecologia das espécies na região. Os resultados são utilizados para aprimorar continuamente as estratégias adotadas e são divulgados em congressos, eventos técnicos e publicações científicas”, conta Adriano Lima.

Além deste processo, que envolve os profissionais da Vast, a empresa conta com uma consultoria especializada. De acordo com o diretor de Sustentabilidade, um dos pilares do projeto é a sensibilização dos colaboradores que atuam no T-Oil.

“Para isso, foram elaborados guias de boas práticas e realizados treinamentos, palestras e diálogos de segurança. Também foram implementadas medidas operacionais, como a redução do limite de velocidade para 20 km/h na ponte de acesso, ajustes em obras e cuidados adicionais durante simulados de emergência, garantindo que as atividades do terminal ocorram sem comprometer a reprodução das aves”, pontua.

Os esforços contribuíram para um aumento significativo de reprodução das aves marinhas, consolidando o T- Oil como uma área de grande importância ecológica. O executivo da Vast indica que, em 2024, o terminal registrou a maior colônia de trinta-réis-de-bando do estado do Rio de Janeiro, consolidando o projeto como referência em conservação integrada a operações portuárias.

“O Projeto Aves do Açu traduz, na prática, o compromisso da Vast com uma atuação responsável e integrada ao meio ambiente. A iniciativa mostra, com resultados concretos, que é possível conciliar nossas operações com a proteção da biodiversidade. Esse é o caminho que buscamos: crescer de forma sustentável, gerando valor ambiental e deixando um legado positivo para as próximas gerações”, destaca Adriano.

sjb24h