Atual Presidente da ALERJ, promove exoneração em massa
Marco Antônio Cabral, Susana Neves e o ex-Prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz na lista publicada no Diário Oficial.
O presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Guilherme Delaroli (PL), determinou nesta terça-feira (6) a exoneração e dispensa de 204 funcionários da Casa em um único ato administrativo.
A medida, publicada no Diário Oficial, representa uma das maiores varreduras administrativas já realizadas no Legislativo fluminense nos últimos anos e ocorre em meio a um cenário político conturbado, marcado por mudanças no comando da instituição e investigações envolvendo a antiga presidência.
De acordo com a publicação oficial, foram registradas 185 exonerações e 19 dispensas, atingindo servidores que ocupavam cargos comissionados em diferentes setores da Alerj. A lista inclui nomes de forte peso simbólico e político.
Exonerações atingem família Cabral e ex-prefeito de Campos
Entre os exonerados estão Marco Antônio Cabral, que atuava como assistente da assessoria da Presidência da Alerj, e sua Mãe Susana Neves, que exercia o cargo de assessora na Diretoria-Geral da Casa. Ambos são ligados diretamente ao ex-governador Sérgio Cabral, figura central de um dos maiores escândalos de corrupção da história política do Rio de Janeiro.
A presença dos dois nomes na lista ampliou a repercussão da decisão e gerou intensa movimentação nos bastidores do Legislativo. Embora não haja qualquer relação formal entre as exonerações e questões judiciais envolvendo Sérgio Cabral, o impacto simbólico foi imediato, sendo interpretado por analistas como um gesto de ruptura com estruturas administrativas associadas a gestões passadas.
Outro nome que chamou atenção foi o do ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz, que ocupava cargo na estrutura administrativa da Alerj.
Sua exoneração reforça a percepção de que a varredura não se limitou a um único grupo político, atingindo quadros com diferentes trajetórias partidárias e administrativas.
Ampla varredura administrativa na Casa
Segundo o Diário Oficial, as exonerações e dispensas atingiram setores variados da Assembleia, incluindo assessorias, diretorias e áreas administrativas consideradas estratégicas para o funcionamento da Casa. A dimensão da medida evidencia uma reorganização profunda da estrutura interna da Alerj.
Nos bastidores, servidores e parlamentares descrevem a ação como uma “reformatação completa” da máquina administrativa, com impacto direto no cotidiano do Legislativo.
A substituição simultânea de um número tão elevado de funcionários tende a provocar um período de adaptação, até que novos ocupantes sejam nomeados e as rotinas plenamente reorganizadas.
Fontes internas indicam que a decisão foi tomada após análises técnicas e administrativas, com foco na revisão de cargos, na contenção de despesas e na adequação da estrutura às diretrizes da atual presidência interina.
Em nota oficial, Guilherme Delaroli afirmou que as exonerações fazem parte do processo natural de transição na presidência da Assembleia Legislativa.
“As exonerações seguem o curso natural da transição na presidência”, declarou o parlamentar.
Ainda segundo a nota, as mudanças têm como objetivo “aprimorar a gestão e, consequentemente, os serviços prestados” pela Alerj. Delaroli também ressaltou que não comentará exonerações específicas, evitando entrar em detalhes sobre os critérios adotados para a dispensa de cada servidor.
A postura adotada pelo presidente em exercício busca reforçar o caráter administrativo da medida, ainda que o alcance político das exonerações seja inevitável, sobretudo diante dos nomes envolvidos e do contexto institucional em que a decisão foi tomada.
Contexto conturbado da presidência da Alerj
Guilherme Delaroli (PL), assumiu a presidência da Alerj em um momento de forte instabilidade política. No dia 3 de dezembro, o então presidente da Casa, deputado Rodrigo Bacellar (União), foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento no vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun.
A operação resultou, em setembro, na prisão do ex-deputado estadual conhecido como TH Joias (MDB). As investigações apontam para possíveis interferências indevidas em apurações conduzidas por órgãos federais, o que provocou uma crise institucional no Legislativo fluminense e levou ao afastamento de Bacellar do comando da Casa.
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